A advogada Dr.ª Fernanda Gonçalves, assessora parlamentar do vereador Jarbas Aleixo, afirma que, como mulher, acompanhou de perto importantes transformações nos direitos femininos. Por isso, reconhece nas leis de proteção não apenas normas jurídicas, mas verdadeiros pilares de esperança, dignidade e recomeço.
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| A advogada Fernanda Gonçalves com as irmãs Erika e Elke e a mãe Maria Neuza |
Nova Voz ONLINE – Quais foram as principais mudanças nas relações sociais e familiares pelas quais passaram as mulheres no seu tempo de vida?
Dr.ª Fernanda Gonçalves - A Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) marcou uma virada histórica. Ela não apenas puniu a violência doméstica — ela rompeu o silêncio. Trouxe mecanismos de proteção, medidas urgentes e uma mensagem clara: nenhuma mulher precisa suportar agressão para preservar a família. Com isso, muitas de nós conquistamos coragem para sair de relações abusivas, exigir respeito e reconstruir lares baseados na parceria. As relações familiares tornaram-se mais conscientes, mais dialogadas e, gradualmente, mais igualitárias. Socialmente, criamos redes de apoio, fortalecemos movimentos e transformamos dor em mobilização.
Nova Voz ONLINE - Qual foi o papel do aumento da escolaridade na posição social das mulheres?
Dr.ª Fernanda Gonçalves - A educação foi — e continua sendo — uma das nossas maiores ferramentas de emancipação. O acesso crescente ao ensino ampliou horizontes profissionais e fortaleceu nossa autonomia financeira. Quero citar políticas como a estabelecida pela Lei 11.770/2008, que ampliou a licença-maternidade por meio do Programa Empresa Cidadã, além das garantias de proteção à gestante estudante, permitiram que mulheres não precisassem escolher entre maternidade e formação. Com conhecimento, questionamos desigualdades, ocupamos espaços de decisão e ressignificamos nosso papel na família e no trabalho.
Nova Voz ONLINE - A partir das mudanças ocorridas com as mulheres, quais foram as transformações ocorridas no universo masculino, em sua opinião?
Dr.ª Fernanda Gonçalves - A tipificação da violência psicológica como crime e o fortalecimento de políticas de responsabilização mostram que a sociedade não tolera mais formas invisíveis de abuso. A própria Lei do Feminicídio (Lei nº 13.104/2015) consolidou a compreensão de que a violência de gênero é estrutural e precisa ser enfrentada com seriedade. Essas mudanças também provocaram reflexões sobre masculinidade. Cada vez mais homens compreendem que parceria não é posse, que cuidado não é fraqueza e que dividir tarefas e responsabilidades é um ato de maturidade. A transformação cultural é gradual, mas é real.
Nova Voz ONLINE - Qual é o papel da família na educação contra o machismo e o feminicídio?
Dr.ª Fernanda Gonçalves - A família é o primeiro espaço de formação ética e afetiva. Quando meninos aprendem, desde cedo, que respeito não é opção, e meninas crescem sabendo que sua voz importa, plantamos sementes de uma sociedade mais justa. Leis existem para punir e proteger, mas o exemplo cotidiano educa para prevenir. Pais e mães que praticam igualdade constroem lares onde a violência não encontra espaço.
Nova Voz ONLINE - Qual Mensagem deixa para as mulheres neste março?
Dr.ª Fernanda Gonçalves - Neste mês que simboliza luta e resistência, que cada mulher se reconheça como protagonista da própria história. As leis são escudos importantes, mas nossa força coletiva é o que sustenta cada conquista. Sigamos unidas, informadas e corajosas. Somos herdeiras de muitas batalhas e sementes de um futuro mais digno. Com carinho e firmeza: não estamos sozinhas — estamos juntas. 💜






























