Para advogada, Dr.ª Fernanda Pontes, as transformações sociais e o avanço da autonomia feminina têm desafiado antigos papéis de gênero, especialmente a ideia tradicional do “homem da casa”. Ainda que muitos homens reajam positivamente a essas mudanças, outros persistem resistindo, sentindo-se desconfortáveis diante da independência financeira e social das mulheres.
![]() |
| A Advogada, Dr.ª Fernanda Pontes, faz ótimas reflexões |
Nova Voz ONLINE – Ao longo da sua vida, quais foram as principais mudanças que você percebeu nas relações sociais e familiares envolvendo as mulheres?
Dr.ª Fernanda Pontes - Ao longo dos anos, as mulheres vêm conquistando autonomia financeira, não só porque precisam, mas porque querem ser independentes, deixando de lado, inclusive, a posição de frágeis, de submissas, muito embora ainda existam muitas mulheres vivendo ainda esses papéis na sociedade.
Nova Voz ONLINE – Que papel o aumento da escolaridade desempenhou na melhoria da posição social das mulheres na sociedade?
Dr.ª Fernanda Pontes - A educação sempre abriu portas. O conhecimento, o estudo permite um leque de opções. Com isso, ao longo dos anos, as mulheres vêm conquistando o seu espaço onde só homens conduziam, com reconhecimento profissional e social. Inclusive, atualmente, com o marco digital, as mulheres tomam mais conhecimento sobre seus direitos, igualdade e cidadania. Infelizmente, mesmo diante disso tudo, ainda temos muitos desafios pela frente.
Nova Voz ONLINE - Você concorda que essas transformações também levaram os homens a mudar, assumindo maior participação na vida familiar e até mesmo dedicando mais atenção ao autocuidado – buscando ficar mais desejável para suas companheiras?
Dr.ª Fernanda Pontes - Esse é um ponto um pouco complicado para se discutir... Os homens ainda têm em mente, por serem criados para isso, aquela responsabilidade de ser o Homem da Casa. E sabemos que a maioria deles se sente incomodada quando a mulher ganha mais, tem sua independência financeira, independência social, autonomia... Com certeza, essas transformações, esse crescimento intelectual e financeiro das mulheres impactam os homens, tanto de forma positiva, quanto negativa. Existem resistências e padrões antigos que continuam influenciando muitas relações.
Nova Voz ONLINE – Apesar de tantas conquistas, ainda nos deparamos com notícias de feminicídio, graças à persistência de conceitos machistas enraizados na cultura social. Em sua opinião, qual é o papel da família — na educação de meninos e meninas — para a construção de uma sociedade mais harmoniosa e respeitosa?
Dr.ª Fernanda Pontes - É o que acabei de mencionar: ainda existem muitas resistências e padrões antigos que continuam influenciando as relações. Sem dúvida, a família tem papel crucial na construção de uma sociedade mais harmoniosa e respeitosa. Infelizmente, estamos vivendo num mundo doente, onde o ódio impera mais que o amor. Aqui, me refiro a uma realidade em que a violência, o controle e o desrespeito ainda são naturalizados em muitas relações. O feminicídio é uma das expressões mais cruéis disso, porque não nasce de um momento isolado, mas de uma cultura marcada por machismo, posse e intolerância. Começa lentamente, desapercebido...
Nova Voz ONLINE - Compreendo.
Dr.ª Fernanda Pontes - Sou mãe solo de um menino de 10 anos e sigo luta constante, exatamente para que ele aprenda os valores aos quais eu não abro mão, valores que aprendi com os meus pais e avós. Ensino a ele comportamentos baseados no respeito, na igualdade, no diálogo. É difícil? Sim! Principalmente com essa interferência digital na vida das crianças hoje em dia. Mas faço questão de estar sempre conversando sobre tudo, dentro de um limite, lógico, com ele. O que é certo, o que é errado, o que fugiu do contexto naquela situação, como se posicionar... É difícil, principalmente sozinha, mas Deus sempre nos dá força nas situações difíceis, e é nele que a gente encontra refúgio e segue em frente, mesmo quando tudo parece impossível.
Nova Voz ONLINE - Que mensagem você gostaria de deixar para as mulheres neste mês de março, especialmente dedicado a elas?
Dr.ª Fernanda Pontes - Vou começar repostando aqui algo que li de uma colega advogada, que considero uma verdade relevante: "Mulheres fortes NUNCA desistem. Elas podem até precisar de uma pausa, um café, ter uma crise de choro, e após um dia de sono, sempre voltam fortes". E é isso mesmo... A sobrecarga feminina é enorme. Faz parte do processo parar e respirar. A mensagem que eu deixo para todas as mulheres é que elas nunca se esqueçam da força que carregam dentro de si. Que continuem ocupando espaços, acreditando no próprio valor e não aceitando menos do que merecem e acreditando que podemos tudo!!! Lugar de mulher é onde ela quiser, sim!!!! Durante muito tempo, tentaram ensinar que a mulher deveria se calar, aceitar e se moldar. Mas hoje sabemos que ser mulher é ter voz, é ter escolha, é ter liberdade para ser quem quiser. Seja forte, se posicione, se respeite. Ame-se!






























