Para Eduardo Antunes, ser pai vai muito além de uma responsabilidade: é estar presente, orientar e transmitir valores que acompanham os filhos por toda a vida. Ele fala sobre a influência do próprio pai, a importância da família na formação do cidadão e os princípios que procura levar para a criação de seus filhos, Maria Alice e Bento.
Nova Voz ONLINE – Qual lembrança vem à sua memória quando perguntamos sobre o seu pai?
Eduardo Antunes - São muitas memórias, mas a principal é saber que ele colocou em segundo plano sua carreira no Corpo de Bombeiros para poder estar perto de mim, me criar e contribuir para me tornar o homem que sou hoje. Alguns podem não entender, mas, em seu tempo de farda, as promoções dependiam muito de cursos de formação ministrados apenas na capital do estado, o que levava cerca de seis meses. Como pai apaixonado e responsável, como sempre foi, nunca colocou o sonho de uma carreira acima da paternidade e da responsabilidade de ser um pai presente, de estar comigo em cada realização e de dar seu jeitinho para não perder uma olimpíada estudantil.
Nova Voz ONLINE - Ler isso é emocionante e já demonstra o caráter do seu pai.
Eduardo Antunes - Sou muito grato e orgulhoso desse grande homem que Itaocara inteira conhece, respeita e admira, que é meu pai: o Antunes Bombeiro, o Antunes da Gisele. Aliás, hoje, o Antunes é o avô do Bento e da Maria Alice.
Nova Voz ONLINE – Em sua opinião, qual é o maior desafio de ser pai nos dias de hoje?
Eduardo Antunes - É exatamente ser pai. Não pela dificuldade de sê-lo, mas pelas dificuldades que o meio social nos impõe hoje. As famílias, de modo geral, estão sendo tolhidas do exercício do pátrio poder, da educação, da adequada instrução de seus filhos e da transmissão da doutrina da fé. Aliás, essa fé é protegida pela Constituição Federal, mas, muitas vezes, é modulada e manipulada para prejudicar determinados grupos e crenças. Devo lembrar que o olhar da sociedade e do Estado deve ser, sim, atento e diligente em todos os casos de violação, violência e abuso. Mas as famílias devem ter seus direitos garantidos, e seu núcleo deve ser protegido e fortalecido pelo Estado. Afinal, o cidadão se forma no seio familiar e gera seus reflexos fora dele.
Nova Voz ONLINE – Tem alguma coisa em especial que o seu pai lhe ensinou e que você traz consigo até hoje?
Eduardo Antunes - A confiança. Meu pai me criou para confiar nele, assim como confio nele até hoje. Certo ou errado, sempre confiei, pois sempre ouvi dele que estaria ao meu lado, no que fosse. Isso não se traduz em conivência, mas, sim, em instrução e sabedoria de quem sabe guiar para a resolução dos problemas. Jesus disse: “A César o que é de César, a Deus o que é de Deus.” Estar junto, na verdade, sempre é seguir a lei dos homens, sem se afastar da lei de Deus.
Nova Voz ONLINE – O que você acredita que nunca pode faltar na relação entre pai e filho?
Eduardo Antunes - Com toda certeza, é o respeito. Aliás, em nenhuma relação interpessoal o respeito pode ficar de fora. Infelizmente, o respeito está escasso. A cada dia que passa, nos deparamos com mais e mais situações que nos envergonham enquanto sociedade. Mas, ainda assim, creio, enquanto cristão católico, que nossa sociedade tem jeito. E luto a cada dia para dar o exemplo aos meus filhos e, aos poucos, ajudar a construir o caráter deles e formá-los para serem cidadãos íntegros.
Nova Voz ONLINE – Para encerrar, há alguma história curiosa ou divertida envolvendo seu pai que você gosta de lembrar?
Eduardo Antunes - Certa vez, fomos com um grupo de pessoas para uma praia e, como bem se sabe, nunca há consenso quando o grupo é grande. Meu pai sempre me disse que, quando saímos para passear, o fato de sair já é diversão e que temos que aproveitar a ida, a permanência e o retorno.
Nova Voz ONLINE - Excelente reflexão!
Eduardo Antunes - Com essa motivação e esse bom astral, quando era perguntado, a cada decisão ou indecisão do grupo, ele sempre respondia: “Vamos sim”. E, quando alguém discordava, ele dizia: “Então não vamos não”. O motivo disso ser marcante é que observar esse jeito dele me fez aprender a viver, a me adaptar e a sempre extrair o melhor de cada situação. Ser grato pelo que tenho, pelo que fiz e até pelo que não pude fazer. Afinal, tudo é permissão de Deus, e é a Ele que devemos dedicar e agradecer por cada despertar.