Uma das profissionais do direito mais respeitadas de Itaocara, a Assessora Jurídica da Câmara Municipal, Dr.ª Sabrina Mara Muniz Bucker, de forma brilhante, faz uma reflexão sobre as transformações sociais pelas quais passaram as mulheres nas últimas décadas, refletindo que há um custo pelo acúmulo de obrigações entre a família, o lar e a profissão.
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| Dr.ª Sabrina faz importantes reflexões em suas respostas |
Nova Voz ONLINE – Ao longo da sua vida, quais foram as principais mudanças que você percebeu nas relações sociais e familiares envolvendo as mulheres?
Dr.ª Sabrina Bucker - Ao longo da minha vida, percebo mudanças profundas e, ao mesmo tempo, contraditórias. A mulher deixou de ser vista apenas como responsável pelo lar para ocupar espaços de decisão, liderança e protagonismo social. Hoje, muitas de nós sustentam famílias, ocupam cargos públicos, comandam negócios e opinam sobre os rumos da sociedade. No entanto, essa ampliação de espaço veio acompanhada de uma sobrecarga muito grande, uma vez que continuamos com os nossos papéis de mães, esposas, filhas, profissionais exemplares, tendo que ser emocionalmente forte, tudo ao mesmo tempo. As relações familiares evoluíram, mas ainda carregam resquícios de papéis tradicionais que insistem em nos responsabilizar por quase tudo.
Nova Voz ONLINE – Que papel o aumento da escolaridade desempenhou na melhoria da posição social das mulheres na sociedade?
Dr.ª Sabrina Bucker - A escolaridade foi e continua sendo uma das maiores ferramentas de libertação feminina, graças a ela que conquistamos espaços nunca ocupados. O acesso ao estudo ampliou nossa consciência, nossa autonomia financeira e nossa capacidade de questionar estruturas injustas. A mulher que estuda passa a escolher, não apenas aceitar. Ela compreende seus direitos, amplia suas possibilidades e rompe ciclos de dependência e silenciamento. A educação nos deu voz, argumento e presença ainda que, muitas vezes, essa presença incomode.
Nova Voz ONLINE – Você concorda que essas transformações também levaram os homens a mudar, assumindo maior participação na vida familiar e até mesmo dedicando mais atenção ao autocuidado?
Dr.ª Sabrina Bucker - Sim, concordo. As mudanças das mulheres inevitavelmente provocaram mudanças nos homens. Muitos passaram a participar mais da vida familiar, do cuidado com os filhos e até do autocuidado não apenas por vaidade, mas por compreensão de que relações mais equilibradas exigem parceria. Claro que essa transformação não é homogênea, nem completa, mas é perceptível. Quando a mulher deixa de aceitar relações desiguais, o homem é convidado ou pressionado a se rever. E isso, apesar das resistências, é um avanço civilizatório.
Nova Voz ONLINE – Apesar de tantas conquistas, ainda nos deparamos com notícias de feminicídio. Em sua opinião, qual é o papel da família na construção de uma sociedade mais harmoniosa e respeitosa?
Dr.ª Sabrina Bucker - A família tem um papel central e insubstituível. É dentro de casa que se aprende ou se perpetua o respeito ou a violência. Educar meninos para compreender limites, frustrações e igualdade, e meninas para reconhecer seu valor, sua autonomia e sua voz, é um ato revolucionário. Não se constrói uma sociedade menos violenta apenas com leis, mas com educação emocional, exemplos diários e diálogo. O machismo nasce no silêncio, na omissão e na naturalização de comportamentos abusivos. Combatê-lo começa dentro de casa.
Nova Voz ONLINE – Que mensagem você gostaria de deixar para as mulheres neste mês de março?
Dr.ª Sabrina Bucker - Minha mensagem às mulheres é de reconhecimento e coragem. Reconhecimento por tudo o que já conquistamos, mesmo enfrentando dores, julgamentos e cansaço. E coragem para continuar, sem abrir mão da nossa essência, da nossa dignidade e do nosso direito de existir plenamente. Que março não seja apenas um mês de homenagens, mas de reflexão, respeito e compromisso real com a igualdade. Que nenhuma mulher precise ser forte o tempo todo, mas que todas tenham o direito de ser livres.






























