Presidente
de Honra da Academia Itaocarense de Letras reúne cinco décadas de advocacia,
experiência no magistério, produção literária e uma vida marcada pela atuação
cultural e pelo compromisso com sua comunidade
A trajetória do advogado, professor, escritor, poeta e trovador Dr. Almir Pinto de Azevedo, indicado como Presidente de Honra da Academia Itaocarense de Letras (AIL), se confunde com parte importante da história cultural e educacional de Itaocara e dos municípios do Noroeste Fluminense. Nascido e criado em Portela, distrito de Itaocara, Almir construiu, ao longo de décadas, uma atuação que ultrapassa os limites de uma única profissão: é advogado por ofício, professor por vocação e escritor e poeta por paixão.
Titular da Cadeira nº 4 da Academia Itaocarense de Letras, cuja patronímica é a abolicionista Ana Catarina de Azevedo, Almir Pinto de Azevedo sucede o professor Nildo Caruso Nara. A indicação para a Presidência de Honra da instituição representa o reconhecimento de uma trajetória dedicada às letras, à educação, à cultura e à vida comunitária.
Com 50 anos de exercício da advocacia, inscrito na OAB-RJ sob o número 24.260, Almir acumulou mais de 500 processos judiciais e participou de dezenas de defesas no Tribunal do Júri. A experiência nos tribunais ajudou a consolidar uma de suas marcas pessoais: a facilidade de comunicação e a habilidade na oratória, que lhe renderam a conhecida expressão de “advogado da Palavra Fácil”.
Ao longo da carreira, atuou como advogado da CERJ, ABAPI, FENASEG e Bradesco Seguros. Também exerceu a função de Defensor Público Dativo na Comarca de São Sebastião do Alto durante 15 anos.
Mas a advocacia é apenas uma das dimensões de sua trajetória. Professor estadual e diretor de escolas de Portela, Jaguarembé e do Colégio Estadual Condé, em Cambuci, Almir também se dedicou à formação de jovens. Sua atuação educacional incluiu ainda a obtenção de bolsas de estudos para estudantes carentes de Itaocara, Cambuci e São Sebastião do Alto. Segundo seu relato, muitos desses alunos posteriormente se tornaram professores, médicos, advogados, engenheiros, juízes, contadores e empresários.
Um homem das letras
Na literatura, Almir Pinto de Azevedo construiu uma produção marcada pela memória regional, pela poesia, pela história e pela cultura. É autor de obras como “Cambuci – 200 Anos”, “Notáveis Poetas”, “Jogos Florais de Cambuci/RJ – O Maior Evento Cultural – 18 Edições”, “Memórias Trovadorescas”, “Portela, Quanta Saudade”, “Reviver, Prosa & Versos” e “Primeira Igreja Batista em Portela, sua origem, sua história”, além de outros trabalhos que, segundo sua apresentação biográfica, permanecem no prelo.
Entre essas obras, “Memórias Trovadorescas” ocupa lugar especial. O livro recebeu Medalha e Diploma de Melhor Livro de Prosa de 2007, concedidos pela Sociedade de Cultura Latina – Seção Brasil, em Mogi das Cruzes (SP), em parceria com a Câmara Municipal de Niterói.
A produção literária está diretamente ligada à sua atuação no movimento trovadoresco. Almir foi presidente estadual da União Brasileira de Trovadores (UBT) no Rio de Janeiro por duas gestões e participou de concursos e Jogos Florais em diferentes estados brasileiros. Também foi fundador da Academia de Letras e Artes de Cambuci e responsável, juntamente com outros colaboradores, pela realização dos Jogos Florais de Cambuci, evento que se tornou uma das referências culturais da região.
Sua relação com a cultura também se estende à organização institucional. Almir participou como relator e coordenador da elaboração de estatutos e regimentos internos de instituições como a Cooperativa Agropecuária de Itaocara, escolas de Portela e Jaguarembé e a Academia de Letras e Artes de Cambuci.
Reconhecimento por uma vida
dedicada à cultura
A trajetória de Almir é acompanhada por uma extensa relação de homenagens e distinções. Entre elas está a Comenda Almeida Pereira, concedida pela Câmara Municipal de Cambuci, e a Medalha Sobral Pinto, uma das mais importantes distinções da OAB-RJ, recebida pelo marco de 50 anos de exercício profissional.
Em 2008, recebeu da Sociedade de Cultura Latina – Seção Brasil o título de “Intelectual do Ano”. Também foi agraciado com os títulos de Cidadão Honorário de São Sebastião do Alto e Cidadão Cambuciense, além de diversas medalhas, diplomas e moções de aplausos concedidos por instituições públicas e entidades culturais.
Entre as distinções relacionadas à educação e à cultura estão a Medalha Cultural Professora Anaíta Custódio Cardoso, concedida pela UPPES; o título de Hors Concours, da Sociedade de Cultura Latina; a Medalha Capitão Manoel Theodoro de Almeida Baptista, das Forças Armadas do Brasil; o título de Personalidade Cultural 2015; e a Medalha de Honra ao Mérito da Associação dos Militares do Brasil – Seção Campos dos Goytacazes.
Também recebeu título de Honra ao Mérito da Câmara Municipal de Vitória (ES) e Moção de Aplausos da Câmara Municipal de Itaocara por sua produção literária em favor da cultura.
Cultura também como
serviço à comunidade
A atuação de Almir Pinto de Azevedo não se restringiu aos livros, academias e instituições. Sua história inclui iniciativas diretamente ligadas à vida comunitária. Em Portela, construiu uma quadra de esportes posteriormente remodelada pela Prefeitura de Itaocara.
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| Dois dos livros escritos pelo Dr. Almir Pinto de Azevedo |
Também exerceu a função de secretário de Cultura da OAB-RJ – Seção de Cambuci e recebeu convites para ocupar cargos públicos que decidiu não aceitar. Em 1990, foi convidado pelo então prefeito de Itaocara, Dr. Robério Ferreira da Silva, para atuar como advogado e procurador do município. Posteriormente, recebeu convite do prefeito de Cambuci, Dr. William Cardoso Portes, para assumir a Secretaria de Cultura. Em ambos os casos, optou por seguir outros caminhos.
Sua biografia ainda revela facetas menos formais. Apaixonado por futebol, chegou a ser artilheiro do Campeonato Intermunicipal envolvendo equipes de Cambuci, Itaocara e Aperibé, defendendo o Portela Esporte Clube. Também se tornou conhecido regionalmente por sua habilidade na sinuca, conquistando títulos em competições e construindo uma reputação que lhe rendeu o apelido de “lenda” da modalidade.
Há ainda uma dimensão empresarial na história do escritor. Almir mantém uma relação de décadas com o comércio local por meio da loja Moderninha, atividade iniciada por seu pai, Altino Pedro de Azevedo, e que atravessou gerações da família.
O advogado que se tornou
uma espécie de ouvidor informal
Talvez uma das características mais reveladoras de sua relação com a comunidade esteja justamente fora dos ambientes formais onde exerceu suas atividades.
Segundo a própria biografia, Almir é frequentemente abordado por moradores quando caminha pelas ruas. Pessoas que enfrentam problemas procuram nele uma orientação, especialmente jurídica. E ele, segundo o relato, procura ouvir e responder a todos.
Essa disposição para ajudar ajuda a explicar como sua figura ultrapassou os espaços do Direito e da literatura para ganhar uma dimensão comunitária.
Almir costuma resumir suas prioridades em quatro grandes paixões: a advocacia, o magistério, a poesia e a Academia de Letras, além da família e do cristianismo.
Uma cadeira que representa
memória e continuidade
Ao assumir a Presidência de Honra da Academia Itaocarense de Letras e ocupar a Cadeira nº 4, Almir Pinto de Azevedo passa a integrar formalmente uma instituição dedicada à preservação e à promoção da literatura e da cultura de Itaocara.
A escolha também estabelece uma conexão simbólica entre diferentes gerações. A cadeira tem como patronímica Ana Catarina de Azevedo, figura associada à história abolicionista, e teve como ocupante anterior o professor Nildo Caruso Nara. Agora, passa a ser ocupada por um intelectual cuja trajetória reúne Direito, educação, literatura, poesia, história regional e participação comunitária.
Mais do que um currículo extenso de títulos e homenagens, a história de Almir Pinto de Azevedo é a de um homem que construiu sua identidade pública a partir da palavra: a palavra usada na defesa de pessoas nos tribunais, na sala de aula para formar estudantes, nos versos e livros para preservar memórias e na convivência cotidiana para orientar quem lhe procura.
A Presidência de Honra da Academia Itaocarense de Letras surge, assim, como uma homenagem que reúne essas diferentes dimensões de sua trajetória. Aos 50 anos de advocacia e depois de décadas dedicadas à educação, à cultura e à literatura, o filho de Portela passa a ocupar um lugar de destaque na instituição que tem como missão preservar justamente aquilo que marcou sua própria vida: a força da palavra, da memória e do conhecimento.