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sexta-feira, 2 de outubro de 2026

Trecho do livro escrito pelo Dr. Almir Pinto de Azevedo, sobre a Rede Ferroviária, no mês dos 136 anos de Itaocara

A Estrada de Ferro teve uma grande importância histórica na formação e desenvolvimento socioeconômico de Portela (terceiro distrito de Itaocara), por ser ponto terminal da ferrovia e relevante na reconstrução de sua história, como elo do passado até o presente.
Essa foto foi tirada em 23 de agosto de 1964, o dia da desativação da estrada de ferro Leopoldina. Na imagem um trem cargueiro com sete vagões. É a locomotiva 403

Com a crise no sistema ferroviário brasileiro, a Estrada de Ferro Leopoldina foi desativada no ano de 1963 e virou saudade. Portela sofreu uma enorme decadência, bem como outras cidades do interior, encerrando-se um dos marcos da história de um grande empreendimento empresarial do século XIX, a era das Vias Férreas.

Mas podemos afirmar que as estradas de ferro abriram caminhos, levando prosperidade por onde passavam e fazendo conexões regionais.

Vale lembrar que muitos ferroviários dormiam e faziam refeições na Pensão do senhor Altino Pinto de Azevedo, pai do autor deste livro, e foi com pesar e muita tristeza que no dia 24 de agosto de 1964, exatamente, numa segunda-feira, ao meio-dia, chegou um trem cargueiro com uma composição de 07 (sete) vagões para retirar os trilhos e levar os utensílios que estavam na Estação. A Locomotiva da Estrada de Ferro Leopoldina, que puxava os vagões tinha o número 403 e o maquinista foi o senhor Manoel Martins.

Tenho uma recordação carinhosa e muito triste quando em 1963, foi desativado o Ramal da Estrada de Ferro em Portela e os Ferroviários Maninho, Crespo, Machado e Jaert, despediram-se das pessoas que estavam na Venda do senhor Altino Pinto de Azevedo e emocionados chegamos às lágrimas ...

No local da Estação que foi demolida, encontramos hoje a Rodoviária de Portela, algumas dependências da Leopoldina foram ocupadas pela Prefeitura e particulares que tomaram posse com a construção de imóveis.

Houve um grande êxodo de portelenses, que foram para as grandes cidades à procura de um futuro melhor. A população diminuiu e houve um grande retrocesso.

 

Emoção da despedida

O trem de ferro fez parte da minha infância. Nunca mais o trem passou, mas às vezes nas minhas recordações ainda ouço o seu apito, mas acordo e o silêncio eterniza o seu grito. Que saudade! Quanta saudade!

Que saudade ... à noite o trem chegando à Estação: apitando piuí – ííí, soando blem – blem, acenando com uma fumaça, era uma obrigação receber os parentes e amigos que chegavam no trem ...

NA CHEGADA DO TREM ERA UMA ALEGRIA,

E NA SUA DESATIVAÇÃO A DOR DA TRISTEZA:

Talvez seja o último abraço,

vais partir, apita o trem

e o apito cortando o espaço,

corta minha alma também !

E NA DOR DA SAUDADE, EU FINJO QUE VEJO :

Na velha estação de trem,

que a solidão dominava

eu acenei a ninguém ...

Fingindo que alguém chegava.


O.Venturelli.


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