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sexta-feira, 7 de agosto de 2026

“Dia dos Pais: a ausência que ensina, o amor que permanece” – Texto Edilson Vieira Andrade

O Dia dos Pais sempre desperta em mim sentimentos profundos e, muitas vezes, difíceis de traduzir em palavras. Enquanto muitas pessoas recordam momentos vividos ao lado de seus pais, eu convivo com a lembrança de uma ausência que me acompanha desde o início da minha vida.

Não tive o privilégio de conhecer o meu pai. Quando ele faleceu, eu tinha apenas um ano e oito meses de idade. Não houve tempo para construir memórias, ouvir seus conselhos, sentir seu abraço ou compartilhar os momentos que, normalmente, marcam a relação entre um pai e um filho. Essa é uma lacuna que o tempo nunca conseguiu preencher completamente.

Sinto falta disso até hoje. Não da saudade de quem conviveu, mas da saudade do que nunca pude viver. Às vezes imagino como seria ouvir sua voz, conhecer seu jeito de pensar ou descobrir quais ensinamentos ele teria me deixado. São perguntas que jamais terão respostas, mas que, de alguma forma, ajudaram a moldar quem me tornei.

Dona Diva e Sr. Elias Andrade, pais de Dilsinho

Isso influenciou bastante a maneira como encarei a paternidade. Busquei estar perto dos meus filhos o máximo que pude. Tenho filhos e filhas maravilhosos. E eles me deram o presente supremo da vida, que me fizeram avô. Muita gratidão a Deus por isso.

Ao longo da minha vida, alguns tios procuraram ocupar esse espaço vazio. Fizeram isso não por obrigação, mas por carinho e generosidade. Em muitos momentos, conseguiram amenizar a falta que um pai faz.

Tenho uma gratidão imensa pelos meus tios Luiz Vieira e Marino Vieira, irmãos da minha mãe, e também pelo meu tio Carlito, o Carlos Andrade, irmão do meu pai. Cada um, à sua maneira, esteve presente em diferentes fases da minha criação e da minha educação. Eles nunca tentaram substituir meu pai — porque ninguém substitui um pai —, mas foram presenças importantes, oferecendo apoio, orientação e afeto quando eu mais precisava.

No entanto, se hoje tenho referências sólidas sobre o significado de ser pai, elas vieram principalmente de duas pessoas: minha mãe e meu irmão, Elidivar.

Antes de encerrar, preciso registrar que minha mãe foi muito mais do que mãe. Com coragem, firmeza e um amor que parecia inesgotável, ela assumiu sozinha a missão de educar, proteger e formar o meu caráter. Enfrentou dificuldades que muitos sequer imaginam, mas nunca permitiu que eu crescesse sem valores, sem limites e sem esperança. Foi nela que aprendi o verdadeiro significado da responsabilidade, da honestidade, da dignidade e do amor incondicional.

Como mensagem aos leitores, minha reflexão é que a paternidade vai muito além dos laços biológicos. Ser pai é cuidar, proteger, orientar, corrigir quando necessário, incentivar nos momentos difíceis e estar presente, principalmente quando a vida exige força. Feliz é quem pode viver tudo isso ao lado do próprio pai. Mas também é abençoado quem encontra, ao longo do caminho, pessoas dispostas a oferecer amor, apoio e exemplo.

A todos os pais, biológicos ou de coração, deixo minha homenagem. Que nunca subestimem o poder de sua presença. Um abraço, um conselho, um exemplo e um gesto de carinho podem marcar uma vida para sempre. Eu sei disso porque, mesmo sem ter conhecido meu pai, fui abençoado por pessoas que, com amor, me ensinaram que a verdadeira paternidade nasce, acima de tudo, no coração.


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