Eu sei que a
vida é bonita, que é maravilhoso viver, aprender, viajar, estudar, procurar,
experimentar todas as sensações, namorar, emocionar, lembrar, e morrer
satisfeito. Mas é assim? Com todos?
Há pouco terminei de assistir a uma
série chamada Black Mirror. Ela me instigou desde o primeiro episódio. Por quê?
Porque ela me fez pensar em coisas atuais, cotidianas e principalmente, em
nossas relações com a tecnologia e o futuro. O futuro.
Ao assistir a uma entrevista do novo
guru midiático e quase profeta Yuval Noah Harari, que tem dois best-sellers
escritos, e que praticamente, previu o que estamos passando, resolvi pegar a
dica. Ele indicou a série e disse gostar. Se ele gostou... Convinha conferir. Ele
resumiu sua entrevista também dizendo o que minha geração cansou de ouvir desde
a escola primária: que precisamos cuidar do mundo. Desde que o mundo é mundo e
há australopithecus nesse planeta, que sobrevivemos retirando nossa
sobrevivência do próprio planeta. Não há outra alternativa. No início só
retirávamos, caçávamos, colhíamos; depois, arávamos, cultivávamos, construíamos;
mas industrializamos; aí, descobrimos o lucro e a quantidade que faz o lucro, e
não paramos mais de retirar do planeta sem repor o suficiente, porque não nos
ensinaram a viver com o suficiente. E a balança pesou. Alguma hora haveria
cobrança.
Você pode pensar que esse vírus pandêmico
é uma forma de cobrança. E, na minha opinião, é. Sabe por quê? Conforme se
sabe, na China a população é ensinada desde criança a comer animais ‘exóticos’.
Exóticos para nós, ocidentais. O nosso ‘exótico’ é a cultura deles. Como para
eles deve ser muito ‘exótico’ ver pessoas quase nuas ou fantasiadas, dançando,
pulando e bebendo o dia inteiro durante uma semana (ou mais), nas ruas, até
debaixo de chuva, ouvindo umas músicas ‘exóticas’.
Enfim. Os chineses são grandes consumidores de carne de porco. Há dois ou três anos houve um surto de gripe suína por lá. Lembram? O vírus H1N1, que é o vetor da gripe suína, se espalhou e o governo chinês teve de sacrificar toda sua população de porcos. A China, de uma hora para outra, ficou sem carne de porco. O que ela fez? Começou a importar, inclusive do Brasil. Só que por lá vivem mais de 1 bilhão e 300 milhões de pessoas, e a carne não deu para chegar a todos. Algumas comunidades começaram a lançar mão da carne de outros animais, preferencialmente os que eram encontrados perto de casa com maior facilidade, tipo o tatu. Os tatus começaram a ser vendidos nas feiras ao ar livre. Geralmente, nessas feiras livres você pode ver de tudo, de vermes a enguias, de escorpiões a tatus. Em um desses tatus estava a Covid-19, que provavelmente, deve ter sido transmitida para ele por uma mordida de morcego hematófago. É o que dizem os cientistas.
Enfim. Os chineses são grandes consumidores de carne de porco. Há dois ou três anos houve um surto de gripe suína por lá. Lembram? O vírus H1N1, que é o vetor da gripe suína, se espalhou e o governo chinês teve de sacrificar toda sua população de porcos. A China, de uma hora para outra, ficou sem carne de porco. O que ela fez? Começou a importar, inclusive do Brasil. Só que por lá vivem mais de 1 bilhão e 300 milhões de pessoas, e a carne não deu para chegar a todos. Algumas comunidades começaram a lançar mão da carne de outros animais, preferencialmente os que eram encontrados perto de casa com maior facilidade, tipo o tatu. Os tatus começaram a ser vendidos nas feiras ao ar livre. Geralmente, nessas feiras livres você pode ver de tudo, de vermes a enguias, de escorpiões a tatus. Em um desses tatus estava a Covid-19, que provavelmente, deve ter sido transmitida para ele por uma mordida de morcego hematófago. É o que dizem os cientistas.
O que isso quer dizer?
No mínimo, que nós não estamos
satisfeitos com nada. Mas principalmente, que estamos – ou já cruzamos – um
limite com a natureza que está difícil de voltar. Hoje, estamos de um lado
perigoso da linha que dividia o homo sapiens e o risco à ‘mãe natureza’. Aquela história de
não jogar o lixo na rua, não jogar o esgoto no rio, manter as fontes naturais
de água, etc...etc..., não foram feitas direito. Todas as gerações possuem
erros e acertos. Ainda dá tempo?
A tecnologia está aí. Será que não
haverá jeito de utilizá-la a favor do planeta? Será que vamos nos ferir com
essas novas ferramentas? Porém, sabemos que quem fere somos nós e não as
ferramentas. O homem está pronto para o futuro? Para as ferramentas?
E aí volto a enfocar Black Mirror. Os episódios são desconexos com o resto da temporada e, por isso, você pode assistir a um episódio da primeira temporada e pular para outro da quarta. Em todos você verá a tecnologia aperfeiçoada e sendo utilizada para o bem e para o mal. Existem coisas absurdas, mas também existem ferramentas que podem estar em nossas mãos daqui a uns 2 ou 3 anos. Daí o interesse. O que o futuro nos guarda em termos tecnológicos? Você está pronto para ser observado 24 horas por dia? Você se comporta bem em sociedade? E sozinho?
E aí volto a enfocar Black Mirror. Os episódios são desconexos com o resto da temporada e, por isso, você pode assistir a um episódio da primeira temporada e pular para outro da quarta. Em todos você verá a tecnologia aperfeiçoada e sendo utilizada para o bem e para o mal. Existem coisas absurdas, mas também existem ferramentas que podem estar em nossas mãos daqui a uns 2 ou 3 anos. Daí o interesse. O que o futuro nos guarda em termos tecnológicos? Você está pronto para ser observado 24 horas por dia? Você se comporta bem em sociedade? E sozinho?
A vida será bonita? O poeta já disse
que ‘viver é não ter VERGONHA’ de afirmar que ainda somos aprendizes. Mas em um
país como o nosso, onde se dá mais valor a um político de terno Armani comprado
com verba do gabinete, do que a um aluno interessado, morador de favela, descalço
e sem jantar todo dia...; onde o que se pretende para a Democracia é VOTO, é o
cargo público ocupado por um par, e o povo na rua ocupado com seu almoço,
despreocupado com a rés pública; onde é interessante as escolas vazias, sem
livros nas estantes, sem estantes, com professores cansados, exaustos de
ensinar e ninguém que tenha aprendido conseguir ocupar um cargo público desses,
que tanto faz diferença nesse lugar, onde as diferenças são aperfeiçoadas em
vez de extintas, onde a abolição é fraude e a escravidão rotina; onde a
dependência é forçosa; o poder é absoluto; onde nos querem submissos; onde a
lei que deveria servir a todos se transforma em frase absolutista, que parece
ter saído da França do século XVIII, onde o monarca se auto-intitula: “O Estado
sou EU!”; onde a nação se perde na falta de noção do concreto, porque vive no
abstrato desde que nos civilizaram. Eu, aqui sentado, assistindo a mais um
episódio da série, ainda fico na dúvida se somos tão civilizados quanto aparentamos...
Enfim, apesar disso tudo, em mim não é
aparência acreditar na vida. E nada me impedirá de pensar e afirmar que sim: a
vida é bonita. E repetir: É BONITA! É BONITA! E é BONITA!
Vai passar!
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