Mesmo reconhecendo os grandes avanços nas relações entre homens e mulheres nas últimas décadas, a sócia-proprietária da Core Contabilidade, Bethânia Fernandes, ressalta que é fundamental manter a vigilância para que as mulheres sejam cada vez mais respeitadas. Ela afirma que é preocupante a frequência com que o noticiário registra casos de morte de mulheres vítimas do crime de feminicídio.
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| Bethânia com o esposo Tande o filho Otávio, aluno do sétimo período da faculdade de medicina |
Nova Voz ONLINE - Ao longo da sua vida, quais foram as principais mudanças que você percebeu nas relações sociais e familiares envolvendo as mulheres?
Bethânia - Assim como a vida passa, o mundo vai tendo suas reviravoltas, isso é bom e é normal. As pessoas mudam, os pensamentos evoluem, a ciência caminha. O modelo de família tradicional já não existe mais, à pesar de algumas resistências, as famílias hoje são múltiplas, são famílias heterossexuais, homossexuais, toda a pluralidade é válida, cada um vive de uma forma, cada um tem seu "eu”.
Nova Voz ONLINE - Ótima reflexão.
Bethânia - No caso das mulheres, elas evoluíram muito e ainda existe um longo caminho a trilhar. A educação de uma mulher vinha como sombra de um homem, aquela que tem que saber cuidar de uma casa, dos filhos e de tudo que envolvia tarefas doméstica, mais graças a deus, essa cultura caiu por terra; hoje somo quem queremos ser, provedoras, acompanhadas, sozinha, limitamos nossos corpos como bem entendemos, nós estamos nos altos escalões de todo tipo de empresa, de toda a espécie de trabalho.
Nova Voz ONLINE - Falta muito até chegar perto do que considera ideal?
Bethânia - Como já disse, a vida das mulheres sofreu várias transformações e elas não podem parar. Temos que ser cada dia mais respeitadas, ouvidas, posicionadas e ainda lutar com este preconceito, que infelizmente ainda existe. Todas estas mortes trágicas por companheiros que não aceitam a ruptura de relações. A luta sempre vai existir, foram muitos anos de diferenças e submissões em relação aos homens. Trabalhamos hoje, para que as futuras gerações colham estes frutos e continuem a lutar.
Nova Voz ONLINE – Que papel o aumento da escolaridade desempenhou na melhoria da posição social das mulheres na sociedade?
Bethânia - A escola tem que ser a base para a vida, não somente o aprender ler e escrever. Precisa "abrir a cabeça", misturar pessoas e crenças, isso é um excelente meio para se viver em sociedade, para ter limites, para querer mudar. Eu sou sempre à favor da educação, que com certeza começa em casa e que a escola também tem um papel fundamental nesta formação. A cultura e o saber vêm dali, quanto mais estudo, mais revolução, mais aprendizagem e mais pra frente se anda. Não existe inteligência sem estudo. É através dela que o mundo gira, das descobertas, da ciência, das luta das classes sociais. Neste sentido, sem dúvida, o aumento da escolaridade fez e faz muita diferença.
Nova Voz ONLINE – Você concorda que essas transformações também levaram os homens a mudar, assumindo maior participação na vida familiar e até mesmo dedicando mais atenção ao autocuidado – buscando ficar mais desejável para suas companheiras?
Bethânia - Alguns, sim, eles entenderam que a mulher tem papel primordial na casa, como cidadã, com vontades próprias, pensamentos e at1tudes. Não mais como uma pessoa que obedecia, muitas vezes, sem contestar. Há famílias que os papéis se inverteram, há aquelas que se modificaram e, infelizmente, aquelas que não saíram do lugar, ou que usam a força física, financeira e psicológica para "maquiar” uma situação.
Nova Voz ONLINE - Apesar de tantas conquistas, ainda nos deparamos com notícias de feminicídio, graças à persistência de conceitos machistas enraizados na cultura social. Em sua opinião, qual é o papel da família — na educação de meninos e meninas — para a construção de uma sociedade mais harmoniosa e respeitosa?
Bethânia - A educação precisa mudar, a família tem que ter uma consciência de que homens e mulheres são iguais em seus direitos e deveres. Precisamos que os meninos reconheçam as mulheres como seres iguais, com suas vontades, tem que haver respeito mútuo, e por outro lado, as meninas tem que ter consciência desde cedo de seu papel na sociedade, de seus direitos, sua postura e seus interesses.
Nova Voz ONLINE - Que mensagem você gostaria de deixar para as mulheres neste mês de março, especialmente dedicado a elas?
Bethânia - Gostaria de deixar meu grande apreço pelas guerreiras que somos, pelo que lutamos. Nós que geramos vida, nós educamos, nós construímos lares. Tem que ser uma luta diária para que possamos ser bem representadas, respeitadas e ouvidas. Feliz vida para nós!!!
























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