Pedagoga apaixonada por educação, pelo mar e por criar experiências acolhedoras. Conheçam casa Coruja da Praia
PERGUNTAS
1 – Ao longo da sua vida, quais foram as principais mudanças que você percebeu nas relações sociais e familiares envolvendo as mulheres?
1- Eu percebo que, ao longo do tempo, muitas mudanças sociais vêm acontecendo em relação às mulheres. Hoje temos mais visibilidade quando se trata de nossa autonomia, independência, conquistas e dos espaços que ocupamos na sociedade. No entanto, sei que nada disso foi dado de forma fácil. Tudo o que alcançamos é fruto de muita luta histórica das mulheres que vieram antes de nós, para que hoje pudéssemos ser reconhecidas, respeitadas e vistas como iguais.
2 – Que papel o aumento da escolaridade desempenhou na melhoria da posição social das mulheres na sociedade?
2- Eu acredito que o aumento da escolaridade é um divisor de águas na vida de qualquer pessoa. Porém, na vida de uma mulher, a educação representa também a sua liberdade. Um homem com pouca escolaridade ainda tem muito mais chances de sobreviver do seu trabalho do que uma mulher sem escolaridade.
Se considerarmos que, historicamente, a mulher foi vista como menos capaz, o nível de escolaridade acaba sendo um impulso importante para que ela consiga se destacar, muitas vezes precisando provar mais do que um homem. É comum perceber que, para assumir um cargo de liderança, uma mulher precisa apresentar um diferencial muito grande, muitas vezes até maior na formação ou na experiência. Isso acontece porque os cargos de liderança na sociedade ainda são frequentemente vistos como espaços masculinos.
Podemos perceber isso na política, nas instituições privadas, nas instituições públicas e até nas instituições religiosas. E, pior ainda, quando uma mulher consegue chegar à liderança, sua postura passa a ser constantemente avaliada: se é considerada mandona, se é sentimental demais para o cargo, ou se sua forma de liderar é adequada. Suas performances são analisadas o tempo todo, algo que geralmente não acontece com a mesma intensidade quando se trata de um homem líder.
Além disso, uma mulher estudada e esclarecida tende a ser mais difícil de ser manipulada, pois geralmente conhece melhor seus direitos e compreende com mais clareza o seu lugar na sociedade.
3 – Você concorda que essas transformações também levaram os homens a mudar, assumindo maior participação na vida familiar e até mesmo dedicando mais atenção ao autocuidado – buscando ficar mais desejável para suas companheiras?
3- Acredito que sim! Quanto mais as mulheres expressam suas opiniões, gostos e seu modo de pensar, mais impacto elas têm na sociedade. Mas é importante lembrar que, com esse posicionamento, sempre existirão consequências tanto entre homens quanto entre outras mulheres. Ser uma pessoa desejável não depende apenas da aparência; está muito ligado ao nosso crescimento e evolução como seres humanos. Homens que estão abertos à evolução, ao lidar com mulheres posicionadas, são forçados a repensar suas próprias atitudes e refletir sobre suas ações. A Idade da Pedra passou, e o homem que insiste em viver apenas pela força, pela imposição ou pela ideia de mulher como propriedade não é compatível com o padrão de uma mulher que vive de argumentos, consciência e autonomia.
4 – Apesar de tantas conquistas, ainda nos deparamos com notícias de feminicídio, graças à persistência de conceitos machistas enraizados na cultura social. Em sua opinião, qual é o papel da família — na educação de meninos e meninas — para a construção de uma sociedade mais harmoniosa e respeitosa?
4-O advento da internet expõe de forma mais visível casos que sempre existiram. Por exemplo, o número de mulheres que matam seus companheiros por conta de uma traição é muito pequeno se comparado ao número de homens que fazem o mesmo quando traídos. Ou ainda, quando há casos de abuso sexual cometido por mulheres contra homens, o crime muitas vezes é tratado como piada.
Por muito tempo, matar a “traidora” foi visto como sinônimo de defesa da honra, e estuprar mulheres era justificado pela suposta “natureza do homem” ou pela culpa atribuída à mulher — pela roupa que usava, pelo horário em que andava sozinha, entre outras coisas. Tudo isso revela um código social profundamente enraizado: a mulher ainda é frequentemente vista como propriedade.
Ela é tratada como um carro, uma casa ou um terreno — algo que o “dono” acredita poder controlar e usar como quiser. E, quando se frustra, acha que tem o direito de destruir ou punir, porque em sua cabeça, ele é o dono. O papel da família é fundamental. O filho que observa a postura do pai tende a reproduzi-la quando adulto, assim como a filha observa o posicionamento da mãe e carrega esses exemplos para sua própria vida. Romper esse ciclo exige conversas abertas, atitudes diferentes e coragem para fazer denúncias quando necessário.
5 – Que mensagem você gostaria de deixar para as mulheres neste mês de março, especialmente dedicado a elas?
5- Um salve a todas as mulheres que decidiram quebrar ciclos, que escolheram ser melhores filhas, mães, esposas, profissionais e, acima de tudo, melhores seres humanos. Parabéns por tentarem equilibrar tudo isso e, ainda assim, nunca desistirem de si mesmas.
Às vezes, parece que não conseguimos aguentar mais nada, mas somos muito fortes. E entender que a cooperação é mais poderosa do que a competição muda muitas chaves em nossa mente. Parabéns, meninas!






















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