A arquiteta Brunna Rimes afirma que março — período em que se ressalta o papel da mulher na sociedade — precisa ser encarado mais como um momento de reflexão do que apenas de celebração. Embora reconheça os avanços conquistados, a jovem destaca que ainda há muitos desafios pela frente, especialmente no que diz respeito à segurança, ao respeito e à igualdade de oportunidades.
![]() |
| Brunna Rimes uma profissional que conquista diariamente o respeito dos munícipes de Itaocara e de toda região |
Nova Voz ONLINE – Ao longo da sua vida, quais foram as principais mudanças que você notou nas relações sociais e familiares envolvendo as mulheres?
Brunna Rimes - Eu percebo que houve mudanças importantes, principalmente no acesso das mulheres à educação, ao mercado de trabalho e aos espaços de decisão. Hoje vemos mais mulheres liderando empresas, ocupando cargos públicos e também atuando em áreas que antes eram vistas como exclusivamente masculinas. Por atuar como arquiteta, posso testemunhar que aconteceu isto na construção civil. Ao mesmo tempo, ainda há bastante a ser mudado. Muitas mulheres continuam vivendo uma dupla ou até tripla jornada, conciliando trabalho, estudo e as responsabilidades da casa e da família. Então acredito que houve progresso, sim, mas ainda estamos em um processo de mudança nas relações dentro das famílias e da sociedade.
Nova Voz ONLINE - Que papel o aumento da escolaridade desempenhou na melhoria da posição social das mulheres na sociedade?
Brunna Rimes - A educação tem um papel fundamental nesse processo. Quando uma mulher tem acesso ao estudo/escolaridade, ela amplia suas possibilidades profissionais, sua independência financeira e também sua capacidade de tomar decisões sobre a própria vida. Além disso, a presença feminina na ciência tem produzido contribuições muito importantes para a sociedade. Tivemos grandes destaques de cientistas brasileiras, como Tatiane Sampaio, no estudo de um medicamento experimental chamado polilaminina para tratar paraplegia e tetraplegia; e as cientistas, Ester Cerdeira Sabino e Jaqueline Goes de Jesus, que decodificaram o vírus da Covid-19. Dá orgulho falar sobre elas!
Nova Voz ONLINE - Você concorda que essas transformações também levaram os homens a mudar, assumindo maior participação na vida familiar e até mesmo dedicando mais atenção ao autocuidado?
Brunna Rimes - Acho que estamos vivendo um período de transição. Já vemos alguns homens mais presentes na criação dos filhos e dividindo tarefas domésticas. Mas essa mudança ainda acontece de forma desigual. Em muitas famílias, ainda existe uma expectativa cultural de que a maior parte do cuidado da casa e da família seja responsabilidade da mulher. Então acredito que estamos avançando em passos de formiguinhas.
Nova Voz ONLINE - Apesar de tantas conquistas, ainda nos deparamos com notícias de feminicídio. Em sua opinião, qual é o papel da família na educação de meninos e meninas para a construção de uma sociedade mais respeitosa?
Brunna Rimes - A família tem um papel essencial, porque é dentro de casa que muitas das primeiras referências de respeito, limites e convivência são construídas. Educar meninos para compreender que mulheres merecem respeito e que relações devem ser baseadas em igualdade é fundamental. Da mesma forma, é fundamental que meninas cresçam reconhecendo seu valor, seus direitos e seus limites. Hoje também é importante que as famílias estejam atentas ao que as crianças e adolescentes consomem na internet e no celular, porque muitos comportamentos e ideias acabam sendo formados ali. A orientação e o diálogo dentro de casa continuam sendo fundamentais para construir uma sociedade mais respeitosa.
Nova Voz ONLINE – Que mensagem você gostaria de deixar para as mulheres neste mês de março?
Bruna Rimes - Acho que o mês de março deve ser um momento mais de reflexão, do que apenas de celebração. Houve conquistas importantes ao longo do tempo, mas existem muitos desafios pela frente, especialmente quando falamos de segurança, respeito e igualdade de oportunidades. É importante dar visibilidade às mulheres que estão produzindo conhecimento, pesquisando, liderando projetos e contribuindo para avanços na saúde, na ciência e em tantas outras áreas. Quando meninas veem essas referências, muitas passam a considerar caminhos que antes pareciam distantes, como seguir carreira científica. Que cada vez mais meninas se sintam encorajadas a estudar, pesquisar, questionar e ocupar seus espaços.























0 comentários:
Postar um comentário