Mesmo reconhecendo os avanços, a fisioterapeuta Ângela Machado alerta que desafios como o feminicídio ainda persistem, exigindo não apenas uma educação baseada no respeito, mas também ações mais eficazes do poder público para garantir a segurança das mulheres.

A fisioterapeuta Ângela Machado é querida em Itaocara e em toda região pelo atendimento de qualidade dirigido aos pacientes
Nova Voz ONLINE - Ao longo da sua vida, quais foram as principais mudanças que você percebeu nas relações sociais e familiares envolvendo as mulheres?
Ângela Machado - Olha… mudou MUITA coisa , graças a Deus! Antes, éramos ensinadas a cuidar de todo mundo… menos de nós mesmas. Hoje, a gente continua cuidando (porque isso é da nossa essência), mas aprendemos que não dá pra se abandonar. Somos esteios. Com o passar dos anos tenho visto mulheres mais independentes, mais conscientes, mais donas da própria vida. E o mais bonito, sem perder a sensibilidade e a feminilidade. Resumindo: ficamos mais forte!
Nova Voz ONLINE - Que papel o aumento da escolaridade desempenhou na melhoria da posição social das mulheres na sociedade?
Ângela Machado - Gigante! Conhecimento liberta. Experiência própria! Fiz faculdade após a maternidade. Existe uma Ângela antes e outra após a faculdade. Um leque de oportunidades se abre na nossa mente. E quando a gente estuda, a gente começa a questionar, a se posicionar e a não aceitar qualquer coisa. Entendemos o nosso valor e isso muda tudo, na profissão, nos relacionamentos e até dentro da nossa própria casa. Mulher instruída não aceita viver no automático. Ela escolhe.
Nova Voz ONLINE - Você concorda que essas transformações também levaram os homens a mudar, assumindo maior participação na vida familiar e até mesmo dedicando mais atenção ao autocuidado – buscando ficar mais desejável para suas companheiras?
Ângela Machado - Com certeza! Hoje a gente vê homens mais presentes, participando da família, ajudando dentro de casa, cuidando dos filhos… e até se cuidando mais também. E isso é ótimo! Relacionamento hoje não é mais sobre “um servir ao outro”, isso é coisa dos nossos avós (apesar de ainda ver isso com casais antigos no meu trabalho). Mas hoje relacionamento é parceria. É caminhar junto. E quando os dois crescem, quando os dois opinam, tudo flui muito melhor.
Nova Voz ONLINE – Apesar de tantas conquistas, ainda nos deparamos com notícias de feminicídio, graças à persistência de conceitos machistas enraizados na cultura social. Em sua opinião, qual é o papel da família — na educação de meninos e meninas — para a construção de uma sociedade mais harmoniosa e respeitosa?
Ângela Machado - Total. Tudo começa dentro de casa , e eu vejo isso todos os dias no meu trabalho também. Atendo muitas mulheres que carregam dores no corpo… mas, quando você vai olhando mais fundo, tem muita coisa emocional ali: falta de respeito, sobrecarga, sensação de não ser valorizada.
Nova Voz ONLINE - Correto.
Ângela Machado - E isso não nasce do nada. Vem de uma criação onde, muitas vezes, a mulher aprendeu a se calar e o homem não aprendeu a respeitar. Então, pra mim, é simples (e ao mesmo tempo muito sério): é dentro de casa que os meninos aprendem a respeitar uma mulher… e é dentro de casa que as meninas aprendem que elas não precisam aceitar menos do que merecem.
Nova Voz ONLINE - Isso demonstra os desafios que as famílias enfrentam, não é mesmo?
Ângela Machado - A gente não precisa criar filhos perfeitos. E nem conseguiríamos, pois eu sempre digo que criar é fácil, difícil é educar com a interferência do meio (escolas, internet, avós, colegas etc). Mas ...precisamos educar conscientizando! O que também não é fácil mas se faz necessário!
Nova Voz ONLINE - Essa criação familiar é o palco de prevenção ao feminicídio?
Ângela Machado - Sobre o feminicídio, temos visto vários casos e cada vez mais perto. Isso revolta porque muitas dessas mulheres já tinham pedido ajuda, já tinham medida protetiva… e mesmo assim, não foram protegidas de verdade. E isso, pra mim, é muito sério e preocupante . Porque a medida que deveria proteger, muitas vezes acaba deixando a mulher ainda mais vulnerável. Ela denuncia, se expõe… e continua sem segurança real. Então, além da educação dentro de casa, a gente precisa de atitudes mais firmes fora dela também. Leis que funcionem na prática. Proteção que realmente proteja. Porque não dá mais pra tratar isso como algo “normal”!
Nova Voz ONLINE - Que mensagem você gostaria de deixar para as mulheres neste mês de março, especialmente dedicado a elas?
Ângela Machado - Uma coisa que eu falo muito para as minhas pacientes e falo com propriedade, porque eu também vivo isso: não adianta cuidar de todo mundo e esquecer de você. Eu vejo mulheres incríveis, fortes, guerreiras… mas completamente cansadas, doloridas, sobrecarregadas , achando que isso é normal. Não é. Se cuidar não é luxo. É necessidade. Se você não estiver bem, seu corpo vai falar. E ele fala, com dor, com cansaço, com limite. Então, minha mensagem é: Se escolha!!!! Porque quando a mulher se cuida de verdade, ela não só melhora… ela transforma tudo ao seu redor.






















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