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quinta-feira, 18 de março de 2021

Psicanalista Ingrid Rohem de Souza Santos: “Mulheres, não sejam fortes. Sejam vocês!”

Vivemos um tempo em que dizer que uma mulher é ou está "plena" é um grande elogio. Ou seja, conferimos a ela um termo que reporta à totalidade, àquilo que é inteiro, a quem nada falta.

Ingrid com o Pai Fernando e as mulheres da família

No entanto, tentar caber neste termo é fazer o esforço - fadado ao fracasso - de carregar nos ombros o peso de tantos imperativos que recaem, inclusive e principalmente, sobre o corpo.

Ninguém pode ser tudo e, ao tentar sê-lo, termina sendo nada daquilo que quer.

Com o namorado Lucas Lopes

É com seus corpos que as mulheres pagam:

Quantos filtros, photoshop, exageros estéticos;

Quantos projetos abandonados;

Quantos choros na frente do espelho;

Quantos assédios;

Quantos abusos;

Quantas interdições sociais e culturais da   circulação por espaços;

Quanta dor...

Quanta romantização dessa dor!

A Itaocarense e Psicanalista, Ingrid Rohem

Como é alto o preço que se paga por ser mulher - ou por tentar corresponder a uma das versões prontas.

Referir-se a elas no plural é uma forma de lhes fazer mínima justiça.

"A mulher" forte, incansável, invencível, que dá conta de tudo, superpoderosa, guerreira, com instinto de cuidado e zelo, sobretudo materno, é UMA mulher inventada.

"A mulher" nem existe.

Ao lado de sua avó materna, Dona Zelina

Mas existem sujeitos que por sua plasticidade constituem versões de mulher.

Mas que, por tantas vezes, são capturados por imperativos que tentam forjar aquilo que é impossível de atingir. Nada mais são do que versões, como outras tantas, as quais tentam elevar ao estatuto de "Amélia" - a mulher de verdade.

Por tentarem ser plenas, as mulheres sofrem.

Muito chamego com a avó paterna, Dona Orma

Que a força - tão referida como característica das mulheres - não lhes sirva para carregar rótulos, imperativos e estereótipos.

Que elas lutem pelo direito de "des-ser", ou dito de outro modo: que se descolem de tudo que é dito "instintivo" nas mulheres e passem a se definir por aquilo que escolhem construir para si ao invés de tentarem caber em modelos prontos.

A mulher talvez seja uma miragem.

E na tentativa de alcançar sua solidez, substancia e consistência, tem sorte quem consegue se guiar pelo desejo que encontra em si mesma.



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